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Machacando recuerdos

05/07/2017

Fresh herbs with a mortar and pestle and vegetables on a woodenPreparando num velho almofariz a mistura verde com que curo minhas mazelas, como uma velha bruxa do século XII ou menos, vejo no fundo de tudo as lembranças que saem como a seiva das folhas.

Um dia esse mesmo almofariz triturou limão e mascavo para a caipirinha de um piquenique noturno.  E o cheiro do café todos os dias me traz o seu riso.

E eu nunca mais preparei brigadeiro, porque é doce de comer, não de colher, mas na sua boca. E me falta recipiente.

Mas tão antigo é o movimento de triturar e tão imemorial o odor das ervas esmagadas que me lembro também do sol no seu camisão branco de dormir ao meu lado, meu querido esposo, em uma casinha de madeira e  barro e palha no meio de uma plantação qualquer muito ao leste daqui. E do seu braço de soldado me soerguendo sobre a montaria, no percurso leve de amor que me levaria para a morte.

E outras memórias antigas e atemporais que faço força para pulverizar junto ao sal grosso.

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